A cultura negra, trazida para a terra brasilis durante o período colonial, influenciou ricamente a construção da nação brasileira, e o Candomblé, religião que representa significativamente essa herança afro, é uma das principais manifestações desta cultura. Este Blogger foi criado com a intenção de interagir com as demais comunidades e casas , levar informações sobre o culto afro descendente candomblé e informar sobre os acontecimentos do nosso Egbé.
Iyálòòrisá Cris Ty Òsún
Iyálòòrisá Cris Ty Òsún
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
" Ilé Asé Egbé Òmórisá Ogum ": A Pena Ekodidé
" Ilé Asé Egbé Òmórisá Ogum ": A Pena Ekodidé: Ekodidé, akodide ou okodide como é chamado pelo povo do santo é uma pena vermelha, extraida da cauda de um tipo de papagaio africano, chama...
Ori - Princípio de Existência Individualizada
O corpo é constituído de duas partes inseparáveis, o orí, a cabeça, e seu suporte, o àpéré.
Para que um corpo adquira existência, deve receber e conter o èmí, princípio da existência genérica, elemento original soprado por Olórun, o dispensador de existência, Eléèmi, o ar-massa, a protomatéria do universo. O èmi está materializado pelo èmi, a respiração, elemento essencial que diferencia um ára-àiyé e um ará-òrun.
Cada elemento constitutivo do ser humano é derivado de uma entidade de origem que lhe transmite suas propriedades materiais e seu significado simbólico. Essas entidades de origem ou progenitores, existência genérica ou “matérias-massas”, ancestrais divinos ou familiares, são os símbolos coletivos míticos dos quais partes individualizadas se desprendem para constituir os elementos de um indivíduo. Esses elementos possuem dupla existência: enquanto uma parte reside no òrun, o espaço infinito do mundo sobrenatural, a outra parte reside no indivíduo, em regiões particulares de seu corpo, ou em estreito contato com ele. Orí-àpéré, a cabeça com seu suporte, são modelados com porções de substâncias-massas genitoras, mas o interior, o orí-inú, é único e representa uma combinação de elementos intimamente ligados ao destino pessoal. É esse conteúdo, o ori-inú, que expressa a existência individualizada.
Se por um lado o Orí-inú do àiyé reside no corpo, na cabeça de cada indivíduo, sua contraparte, o Orí-òrun é simbolizado materialmente e venerado. Durante as cerimônias de Bori (=bo + orí = adorar a cabeça) ele é invocado e os sacrifícios são oferecidos ao Orí-inú, sobre a cabeça da pessoa, e ao Igbá-ori, cabaça simbólica que representa sua contraparte no òrun.
Cada orí é modelado no òrun e sua matéria mítica progenitora varia. A porção de “matéria” extraída da “matéria-massa” progenitora com a qual é modelada cada cabeça constitui o Ìpòri da pessoa. Esse conceito é muito importante, porque estabelece uma série de relações entre o indivíduo e sua matéria de origem mítica. Determinará o Òrìsà ou Irúnmale que o indivíduo deverá adorar; ele estabelecerá suas possibilidades e escolhas, e, principalmente, indicará suas proibições, os èwò, particularmente em matéria de alimentação.
Dada a importância do Ìpòrí e sua relação com os elementos que individualizam, transcreveremos extratos de uma longa recitação do Odú Èji-Ogbé e do Odù Òse-tùwá que expressam claramente seu significado:
“O Ìpòrí é o que chamamos de Òkè Ìpòri.
Oke Ìpòrí, é assim que ele é chamado e existe para cada ser humano. É como o local onde o rio começa seu curso e que chamamos de Ìpòrí Odò, a nascente de um rio; a origem de um rio a partir da qual o pequeno regato se alarga e corre. Assim também o é para os seres humanos. É aí que o Òrìsà apanhará uma porção para criar as pessoas.
É assim que é chamado o Ìpòrí das pessoas.”
O Òrìsà pega uma porção de palmeira para criar alguém. As pessoas dessa espécie criadas a partir da palmeira, quando nascem (quando vem para a terra) deverão venerar Ifá. O Òrìsà pega um fragmento de ferro para criar uma outra espécie de pessoas. Quando as pessoas dessa espécie nascem, deverão venerar Ògún, a tal ponto que Ògún será seu Olúwarè, seu Senhor no mundo.
Ele (o Òrìsà) pega uma porção de água para criar uma outra espécie de gente. Òsun, Yemoja, Erinlè, Oya, Ajé, Olókun, etc. constituirão seu Okè Ìpòrí.
Ele (o Òrìsà) serve-se da brisa para criar uma outra espécie de gente. Isso quer dizer que Òranfé, Oya ou outras entidades semelhantes constituirão Òkè Ìpòrí dessa espécie de gente.
Os Odù de Ifá que nos explicam sobre isso são Òsetùá e Èjìogbè. Um deles diz o seguinte:
“Orí cria cada um de nós,
Ninguém pode criar Orí.
Òrìsà pode mudar qualquer um na terra,
Ninguém pode mudar Òrìsà.”
Eles jogaram Ifá para Àjàlá que é o fazedor de todas as cabeças no Òde òrun.
Àjàlá é aquele que Olódùmarè colocou no òde òrun para modelar Orí. É um Òrìsà antigo. Ele modela Orí todos os dias e os põe no solo. Aquele que vai do Ikòlé-Òrun para o mundo é obrigatório que ele chegue até Àjàlá para ter uma cabeça. Quando ele aí chega, pode fazer sua escolha.
Os que trabalham com Àjàlá são: Òrìsàálá e Éjìgbè, Oyèkú-méjì, Ìwòrì-méjì,Òdí-méjì, Ìròsùn-méjì, Òwónrín-méjì, Òbàrà-méjì, Òkànràn-méjì, Ògúndá-méjì, Òsá-méjì, Ìká-méjì, Òtùrúpòn-méjì, Òtùá-méjì, Ìretè-méjì, Òsé-méjì, Ofun-méjì. Éèpà a” (Nossos respeitos a todos eles!). Todos esses Odu, que com Osé-tùwá são dezessete, trabalham com Àjàlá em modelar Orí todos os dias. A porção retirada na qual cada Orí é modelado é o Égún Ìpòri (matéria ancestral). Cada um deveria venerar sua matéria ancestral para prosperar no mundo e para que ela venha a ser seu guardião.
Por extensão, o termo Ìpòrí aplica-se a todos os ancestrais diretos de uma pessoa, a seus elementos constitutivos imediatos e, particularmente, ao pai ou à mãe falecidos. Os pés, estando em contato com a terra, são as partes do corpo através das quais os ancestrais “sobem”, o grande artelho direito representa o parente masculino e o grosso artelho esquerdo o parente feminino.
Élédá significa:
E ni èdá: Senhor dos seres viventes.
Esse título é aplicado a Olórun e, por extensão, à entidade mítica a partir da qual foi criado um orí (Òrìsà pessoal). Enquanto Élédá se refere à entidade sobrenatural, à matéria-massa que desprendeu uma porção da mesma para criar um orí, consequentemente Criador de cabeças individuais. Assim, por exemplo, se o Ìpòrí é uma porção diferenciada desse Criador. Assim, por exemplo, se o Ìpòrí de uma pessoa tem por origem o elemento fogo simbolizado por Sàngó, essa pessoa chamará Sàngó, Èlédá mi, meu criador.
“Os Nàgó e a Morte”
Juana Elbein dos Santos
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
CONCEITO DE RELIGIÃO
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS TEOLOGIA E CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS APLICADAS PROFESSORA ANA PINHEIRO PAULO ROBERTO VIEIRA DE MEDEIROS CONCEITO DE RELIGIÃO
O sentido etimológico da palavra religião que vem do latim “re-ligar” significa juntar, unir o profano ao sagrado, o homem a divindade, o material ao espiritual, através de seus elementos constitutivos que são: Corpo doutrinal, Corpo sacerdotal, Rito, Mito e Símbolo, e busca dar um sentido a existência humana assim como dar respostas as perguntas que dão sentido a nossa vida.Para a Sociologia segundo o sociólogo Emile Durkheim, a religião é um conjunto de crenças e comportamentos que representam os valores e os ideais sociais. É um fato social presente em todas as sociedades.Para a Psicologia segundo Sigmund Freud, a religião representa uma projeção dos desejos humanos, está relacionada ao inconsciente. Para Freud, a religião é um processo psicológico que partindo de obsessões reprimidas busca através de símbolos religiosos soluções ilusórias para os problemas presentes. Através dela o homem projeta uma realidade utópica, um mundo ilusório ideal, o paraíso.Para a Filosofia, o conceito de religião é divergente e varia de acordo com cada filósofo. Segundo Karl Marx a religião surge da necessidade de um mundo melhor e representa esperança, sonho de melhora diante da dura realidade. Com suas próprias palavras Karl Marx define religião como ‘’o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, assim como o alento de uma sociedade desalentada. É o ópio do povo. ’’Para a Antropologia a religião é inerente a cultura de cada indivíduo, o que reduz os atributos divinos da teologia aos atributos humanos da Antropologia. Para Hegel a religião não é razão, e sim a representação, sendo então redutível ao mito. Segundo Feuerbach, o Deus do homem reside na sua própria essência, que é a trindade humana, ou seja; o amor, a razão e a vontade e considera estes três elementos constituintes da essência humana realidades ilimitadas e infinitas, assim como Deus. Feuerbach define a presença da divindade na vida do homem como consequência do medo, da insegurança que o homem tem a respeito de si mesmo, quando Deus seria a própria representação do homem em seu ápice como ser pensante.Analisando os conceitos acima, podemos observar que apesar de divergirem entre si,a religião para os campos de conhecimento citados tem um significado em comum. A religião é para humanidade um mecanismo para amenizar seus anseios, uma válvula de escape, um refúgio para seus medos e fundamentalmente um sentido para sua existência. A religião está presente desde o surgimento do homem e provavelmente estará presente até o fim de sua existência.
Fonte: Universidade Católica de Goiás
Texto por Iyálòrisá Cris ty Osun
"Entre tantos conceitos o que se nota é que a visão de toda religião,crença e fé é basicamente união,amor,paz e evolução de nós como seres humanos.Através da fé buscamos estarmos mais próximo a todo sentimento puro,que nos aproxime mais do que seja qual for a crença,sagrado.Portanto a nossa fé vem nos moldar com princípios .Do que adianta fazermos parte de uma crença e não buscarmos esta evolução?Falando propriamente de nós de candomblé,sitamos "união" mas desde que o fulano seja do mesmo axé!Falamos em "igualdade" mas usamos nossas idades sitadas como hierarquia para impôr nossas regras e submeter pessoas,e não para dar conhecimento, exemplo e ensinamentos!Falamos em "respeito" mas atacamos uns aos outros!Falamos em "amor" mas não somos capazes de amar o desigual.Não são todos,mas a maioria das pessoas de candomblé deveriam rever seus conceitos,pois a união dos negros fizeram com que esta crença existisse até os dias de hoje,e a grande maioria não consegue manter união nem dentro de suas próprias casas de axé.Mais reparamos nos outros do que buscamos fazer o certo,e nos achamos tão donos da razão que não paramos para ver se realmente a temos.Humildade,é um fator óbvio que poucos tem,mas que todos necessitam."
Texto perfeito de Gled Pereira:
"Acredito que a ação comportamental da sociedade candomblecista atualmente é o reflexo dos acontecimentos de outrora. Uma vez que nunca houve um consenso entre as várias etnias africanas radicadas em Salvador, lá pelo século XIX, e, principalmente pelos responsáveis que difundiram a religião no Brasil. Cada um seguiu e fundou o seu "candomblé" da forma que lhes foram ensinados e da forma que conduziam seus ritos em suas tribos ou em seus países de origem.
Em uma comparativa atual vejo praticamente a "mesma" situação, os grupos continuam formados e divididos onde esse não se mistura com aquele porque esse canta assim e aquele não ou, esse se veste assim e o outro não. E assim por diante. O individualismo é notável e a ostentação é "obrigatória" mesmo tendo consciência que o princípio da religião é a humildade. Realmente fica difícil ver o candomblé(não o orisá) como uma unidade porque na realidade ele nunca foi."
O sentido etimológico da palavra religião que vem do latim “re-ligar” significa juntar, unir o profano ao sagrado, o homem a divindade, o material ao espiritual, através de seus elementos constitutivos que são: Corpo doutrinal, Corpo sacerdotal, Rito, Mito e Símbolo, e busca dar um sentido a existência humana assim como dar respostas as perguntas que dão sentido a nossa vida.Para a Sociologia segundo o sociólogo Emile Durkheim, a religião é um conjunto de crenças e comportamentos que representam os valores e os ideais sociais. É um fato social presente em todas as sociedades.Para a Psicologia segundo Sigmund Freud, a religião representa uma projeção dos desejos humanos, está relacionada ao inconsciente. Para Freud, a religião é um processo psicológico que partindo de obsessões reprimidas busca através de símbolos religiosos soluções ilusórias para os problemas presentes. Através dela o homem projeta uma realidade utópica, um mundo ilusório ideal, o paraíso.Para a Filosofia, o conceito de religião é divergente e varia de acordo com cada filósofo. Segundo Karl Marx a religião surge da necessidade de um mundo melhor e representa esperança, sonho de melhora diante da dura realidade. Com suas próprias palavras Karl Marx define religião como ‘’o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, assim como o alento de uma sociedade desalentada. É o ópio do povo. ’’Para a Antropologia a religião é inerente a cultura de cada indivíduo, o que reduz os atributos divinos da teologia aos atributos humanos da Antropologia. Para Hegel a religião não é razão, e sim a representação, sendo então redutível ao mito. Segundo Feuerbach, o Deus do homem reside na sua própria essência, que é a trindade humana, ou seja; o amor, a razão e a vontade e considera estes três elementos constituintes da essência humana realidades ilimitadas e infinitas, assim como Deus. Feuerbach define a presença da divindade na vida do homem como consequência do medo, da insegurança que o homem tem a respeito de si mesmo, quando Deus seria a própria representação do homem em seu ápice como ser pensante.Analisando os conceitos acima, podemos observar que apesar de divergirem entre si,a religião para os campos de conhecimento citados tem um significado em comum. A religião é para humanidade um mecanismo para amenizar seus anseios, uma válvula de escape, um refúgio para seus medos e fundamentalmente um sentido para sua existência. A religião está presente desde o surgimento do homem e provavelmente estará presente até o fim de sua existência.
Fonte: Universidade Católica de Goiás
Texto por Iyálòrisá Cris ty Osun
"Entre tantos conceitos o que se nota é que a visão de toda religião,crença e fé é basicamente união,amor,paz e evolução de nós como seres humanos.Através da fé buscamos estarmos mais próximo a todo sentimento puro,que nos aproxime mais do que seja qual for a crença,sagrado.Portanto a nossa fé vem nos moldar com princípios .Do que adianta fazermos parte de uma crença e não buscarmos esta evolução?Falando propriamente de nós de candomblé,sitamos "união" mas desde que o fulano seja do mesmo axé!Falamos em "igualdade" mas usamos nossas idades sitadas como hierarquia para impôr nossas regras e submeter pessoas,e não para dar conhecimento, exemplo e ensinamentos!Falamos em "respeito" mas atacamos uns aos outros!Falamos em "amor" mas não somos capazes de amar o desigual.Não são todos,mas a maioria das pessoas de candomblé deveriam rever seus conceitos,pois a união dos negros fizeram com que esta crença existisse até os dias de hoje,e a grande maioria não consegue manter união nem dentro de suas próprias casas de axé.Mais reparamos nos outros do que buscamos fazer o certo,e nos achamos tão donos da razão que não paramos para ver se realmente a temos.Humildade,é um fator óbvio que poucos tem,mas que todos necessitam."
Texto por Bábálòrisá Mauro De Oliveira Costa
"O que falta no Candomblé em relação à outras religiões é a falta de comprometimento social e de uma reforma moral em seus integrantes. /para ser de Candomblé não é necessário der marginal, viciado, inculto, ignorante e desonesto. Eu creio que podemos ser aptos socialmente e ainda assim bambas no Candomblé. sou prova disso. É só se esforçar mais, coisa que muitos adeptos não fazem.
Boa noite do gordo e honesto!"
Boa noite do gordo e honesto!"
Texto perfeito de Gled Pereira:
"Acredito que a ação comportamental da sociedade candomblecista atualmente é o reflexo dos acontecimentos de outrora. Uma vez que nunca houve um consenso entre as várias etnias africanas radicadas em Salvador, lá pelo século XIX, e, principalmente pelos responsáveis que difundiram a religião no Brasil. Cada um seguiu e fundou o seu "candomblé" da forma que lhes foram ensinados e da forma que conduziam seus ritos em suas tribos ou em seus países de origem.
Em uma comparativa atual vejo praticamente a "mesma" situação, os grupos continuam formados e divididos onde esse não se mistura com aquele porque esse canta assim e aquele não ou, esse se veste assim e o outro não. E assim por diante. O individualismo é notável e a ostentação é "obrigatória" mesmo tendo consciência que o princípio da religião é a humildade. Realmente fica difícil ver o candomblé(não o orisá) como uma unidade porque na realidade ele nunca foi."
O Poder e a Hierarquia
Ter poder, e ser de fato detentor de algum poder, são situações distintas em uma comunidade religiosa de Candomblé, isso no meu entendimento. Veja que sempre me refiro ao meu entendimento pessoal, porque o que escrevo é fruto da minha vivência religiosa. Caberia melhor dizer que é fruto da observação dos fatos e situações ao longo dos anos, com pessoas que possuem os mais variados desejos de poder, desde aqueles que rejeitam o poder que lhe é concedido, até aqueles que o desejam muito e intensamente e não medem esforços para conseguir o objectivo.
A utilização do poder e da hierarquia numa Casa de Santo não está escrita em nenhum código explícito de conduta, nem mesmo está escrito de fato; a hierarquia e o poder existem pelo simples fato de ser assim e ponto final.
Porém, são a hierarquia e o poder bem aplicados que mantém o grupo unido em torno de um objectivo ou de alguém, um líder. Mesmo se pensarmos em um trabalho filantrópico, sem fins lucrativos, perceberemos a hierarquia por trás do projecto; há sempre um líder, um catalisador, alguém a quem se prestam contas; e numa Casa de Santo não seria diferente.
O que vejo de problemático neste modelo de hierarquia e poder concentrados em mãos pouco habilidosas para o trato com as pessoas, é o fato dessa hierarquia sacerdotal estar directamente ligada ao status que os postos de zelador, ogan, ekedi ou outro oiê dão a alguns dignatários sem preparo e sem cultura suficientes para exercer estas funções; que lidam directa e diariamente com pessoas, com emoções e sentimentos, com vidas. E, desta forma, o poder se torna um comércio e uma forma de se impor pelo medo.
Para exercer correctamente o poder é necessário, além do “direito conquistado”, ter o reconhecimento e o respeito da comunidade. É necessário ser um líder nato, e não um mero ditador de normas.
Os grandes nomes de nossa religião nem sempre tiveram educação formal completa, mas tinham carisma e sensibilidade. Portanto, a educação a que me refiro nem sempre é a formal, pois educação vem de família e, como somos uma família pergunto:
- Como estamos então educando nossos filhos?
- Como estamos então educando nossos filhos?
Deve-se ter bem claro em uma comunidade quem é o líder e quem são os liderados. Falo em líder e liderados, não senhores e escravos. Frequentemente se confunde hierarquia com satisfação dos desejos do elemento mais graduado, confundindo liderança com imposição do medo. O bom líder orienta, o mau líder se aproveita da fraqueza do outro para diversos fins.
Como disse antes, em nossa religião não há um código de conduta escrito e formal; cada zelador é livre para fazer ou desfazer o que bem entender da forma como bem entender em sua Casa. Logo, isso leva à formação de entendimentos particulares das noções de respeito à pessoa, e a hierarquia passa a só ter valor quando imposta de cima para baixo e de dentro para fora do grupo detentor do poder, sendo o restante do grupo relegado à condição de mantenedores do “status Real”.
Casos típicos de confusão e de má conduta ética são os zeladores que, não tendo cultura ou educação (inclusive formal), quando empossados no comando de uma Casa não hesitam em tratar as pessoas com total desprezo, principalmente os membros da sociedade civil de maior prestígio que lhes frequentam as Casas.
A mim parece um tanto de preconceito ou revanchismo. São pensamentos retrógrados e arraigados de que, fora da Casa, o filho de santo é um médico ou um doutor, mas uma vez dentro da Casa ele fará o que for ordenado, se humilhará e será humilhado. Esse comportamento, associado à falta de ascensão social e reconhecimento profissional do zelador fora do seu próprio meio social/religioso, cria situações de constrangimento e desagrado, e acabam por excluir muitas pessoas que não compactuam com esse modelo.
Educação talvez seja um bom começo.
Educação talvez seja um bom começo.
Não é porque não há um código de conduta que direccione o comportamento dos graduados que estes podem dispor das vidas, desejos, anseios e liberdades alheios da forma como melhor lhes convier. Somos, no mínimo, pensantes e temos sim direito ao bom e respeitoso tratamento, pois hierarquia e poder não pressupõe opressão.
Pelos motivos acima, creio que o que constantemente leva uma Casa a perder seus filhos e ser reconhecida como um local não muito confiável é a falta de capacidade do seu quadro, do seu staff, que geralmente está mais envolvido em disputas internas e silenciosas pelo poder do que centrado no que realmente importa, que é a educação e crescimento dos membros da comunidade. E, nestas disputas, não se leva em conta a sobrevivência da própria Casa como instituição de amparo aos filhos; não se leva em conta nada, somente a obtenção do poder a qualquer custo ou a manutenção dele.
Como disse anteriormente, há também os que rejeitam o poder. Estes não contribuem em nada e se colocam à margem das disputas, mas também não se posicionam contrários a estas. São como já li em um grande livro “Ogãns de bênção”, referindo-se às pessoas sem compromisso com a Casa. Não fala especificamente sobre os Ogãns, não há nenhum preconceito, refere-se à generalidade dos cargos e do status que eles proporcionam na comunidade, sem no entanto se envolverem profundamente com seus assuntos.
Claro exemplo de dominação pelo medo se dá em uma consulta de búzios ou a uma Entidade, onde o objectivo principal é a busca de soluções e respostas para um determinado assunto, e essa consulta acaba por impor ao consulente uma série de outros assuntos que não são pertinentes, mas que dão status de grande adivinho ao zelador. Refiro-me aos casos como os declarados no próprio blog sobre informações desencontradas dadas por diferentes zeladores a respeito de um mesmo assunto.
Sei que o jogo não é um tomógrafo de última geração, uma máquina programada para dar sempre os mesmos resultados com margens mínimas de erros, mas falo de percepções e de técnicas diferentes em que até o dia em que se consulta o jogo pode ter influência sobre a leitura. Uma coisa não muda em tudo isso, o interesse em ajudar ou ser ajudado do adivinho. O assunto é esse, eu em particular não jogo nem dou consulta, portanto em princípio não deveria falar dos que o fazem, mas, com liberdade para opinar e responsável em conjunto com a Manuela por divulgar a religião neste espaço democrático, não posso omitir este assunto.
Esse é somente um item de um grande arsenal de formas usadas para impor o medo. No jogo/consulta se “vê” que o consulente “precisa urgentemente” fazer ou deixar de fazer, ter ou deixar de ter diversas coisas e é nesse ponto que começamos a diferir o poder de fato do poder imposto. Afinal, amedrontar uma pessoa se utilizando de um jogo ou de uma Entidade para obter vantagens é coisa fácil, o difícil é encontrar pessoas que queiram orientar e cuidar, dar carinho e uma palavra de conforto. Como disse, é difícil encontrá-los, mas graças aos Orixás pessoas sérias também ocorrem em grande número, pois afinal é para isso que são graduados e ocupam seus cargos.
O objectivo deste texto é dizer que o poder deve ser utilizado para colaborar, para influenciar positivamente, para fazer crescer a comunidade e os filhos, portanto devemos, antes de nos entregar de corpo e alma, avaliar cuidadosamente que tipo de poder queremos exercer e a que tipo de poder estaremos sujeitos.
A busca constante da felicidade conduz à felicidade.
Não sei de quem é a frase, mas é bem interessante.
Texto de Tomege do Ogum
A hierárquia do Candomblé
A hierarquia do candomblé:
Os Cargos dentro da casa de candomblé
O candomblé é uma religião que muito teve que lutar pra chegar até os dias de hoje, um dos fatores que manteve a sua sobrevivência foi a hierarquia. A hierarquia dentro de uma casa de candomblé sempre foi inquestionável.Entretanto devemos entender melhor para quais finalidades.
Vamos,então primeiramente aos cargos,oyês e na próxima postagem aos esclarecimentos finais da questão.
Hierarquia no Candombé de Ketu
- Iyá / Babá: significado das palavras iyá do yoruba significa mãe, babá significa pai.
- Iyalorixá / Babalorixá: Mãe ou Pai de Santo. É o posto mais elevado na tradição afro-brasileira.
- Iyaegbé / Babaegbé: É a segunda pessoa do axé. Conselheira, responsável pela manutenção da Ordem, Tradição e Hierarquia.
- Iyalaxé (mulher): Mãe do axé, a que distribui o axé e cuida dos objetos ritual.
- Iyakekerê (mulher): Mãe Pequena, segunda sacerdotisa do axé ou da comunidade. Sempre pronta a ajudar e ensinar a todos iniciados.
- Babakekerê (homem): Pai pequeno, segundo sacerdote do axé ou da comunidade. Sempre pronto a ajudar e ensinar a todos iniciados.
- Ojubonã ou Agibonã: É a mãe criadeira, supervisiona e ajuda na iniciação.
- Iyamorô: ou BabamorôResponsável pelo Ipadê de Exu.
- Iyaefun ou Babaefun: Responsável pela pintura branca das Iaôs.
- Iyadagan e Ossidagã: Auxiliam a Iyamorô.
- Axogun sacerdote responsável pelo sacrificio dos animais. Dependendo do caso, no ritual de iniciação, este sacerdote pode "virar" no santo e assumir outro cargo, ja que axogun é um ogan.
- Iyabassê: (mulher): Responsável no preparo dos alimentos sagrados as comidas-de-santo.
- Iyarubá: Carrega a esteira para o iniciando.
- Iyatebexê ou Babatebexê: Responsável pelas cantigas nas festas públicas de candomblé.
- Aiyaba Ewe: Responsável em determinados atos e obrigações de "cantar folhas.
- Aiybá: Bate o ejé nas obrigações.
- Ològun: Cargo masculino. Despacha os Ebós das obrigações, preferencialmente os filhos de Ogun, depois Odé e Obaluwaiyê.
- Oloya: Cargo feminino. Despacha os Ebós das obrigações, na falta de Ològun. São filhas de Oya.
- Iyalabaké: A guardiã do alá de osaala.
- Iyatojuomó: Responsável pelas crianças do Axé.
- Pejigan: O responsável pelos axés da casa, do terreiro. Primeiro Ogan na hirarquia.
- Alagbê: Responsável pelos toques rituais, alimentação, conservação e preservação dos instrumentos musicais sagrados. (não entram em transe). Nos ciclos de festas é obrigado a se levantar de madrugada para que faça a alvorada. Se uma autoridade de outro Axé chegar ao terreiro, o Alagbê tem de lhe prestar as devidas homenagens. No Candomblé Ketu, os atabaques são chamados de Ilú. Há também outros Ogans como Gaipé, Runsó, Gaitó, Arrow, Arrontodé, etc.
- Ogâ ou Ogan: Tocadores de atabaques (não entram em transe).
- Ebômi: Ou Egbomi são pessoas que já cumpriram o período de sete anos da iniciação (significado: meu irmão mais velho).
- Ajoiê ou ekedi: Camareira do Orixá (não entram em transe). Na Casa Branca do Engenho Velho, as ajoiés são chamadas de ekedis. No Terreiro do Gantois, de "Iyárobá" e na Angola, é chamada de "makota de angúzo", "ekedi" é nome de origem Jeje, que se popularizou e é conhecido em todas as casas de Candomblé do Brasil. (em edição)
- Iaô: filho-de-santo (que já foi iniciado e entra em transe com o Orixá dono de sua cabeça), nem todo Iaô será um pai ou mãe de santo quando terminar a obrigação de sete anos. Ifá ou o jogo de búzios é que vai dizer se a pessoa tem cargo de abrir casa ou não. Caso não tenha que abrir casa o mesmo jogo poderá dizer se terá cargo na casa do pai ou mãe de santo além de ser um egbomi.
- Abiã ou abian: Novato. É considerada abiã toda pessoa que entra para a religião após ter passado pelo ritual de lavagem de contas e o bori. Poderá ser iniciada ou não, vai depender do Orixá pedir a iniciação.
- Sarepebê ou sarapebê é responsável pela comunicação do egbe (similar a relações públicas).
- Otun e Osy Axogun são os auxiliares do Axogun
- Apokan responsavel pelo culto de Olwuaye e o Olugbajé
Para continuar e seguir o entendimento leia a seguinte postagem
O Poder e a Hierarquia
sábado, 2 de fevereiro de 2013
REFLEXÃO-TOMAR ABENÇA, E TROCAR A BENÇA
Autor do texto: ARRUNDEGY/ OJE DEYI
Para Refletir
Prezados irmãos e Amigos desta comunidade. Esta minha postagem é para refletir .
Boa tarde irmãos e amigos do Face! Gostaria de falar sobre uma situação que vejo com freqüência nos terreiros de culto aos Orisas. TOMAR ABENÇA, E TROCAR A BENÇA. Tenho o costume de trocar a bença com todos (Quem me conhece sabe que faço), não me importa quem seja, mais velho (sempre minha obrigação), mais novo, abyian em fim todos.
O ato de tomar abença, é pedir a quem estamos tomando nos abençoe com seu Orisa ou outro que seja. Nos abençoando, estamos sendo protegidos por ela. Não vejo muito esta troca acontecendo. Talvez por VAIDADE, MODISMO, FALTA DE DOUTRINA ETC..... Nossos Zeladores(as) mais antigos sempre vi trocar abença com seus Oloyes, Ogans, Ajoyie e com seus amigos(as) que tem o mesmo cargo. Porque, hoje uma pessoa que mal se inicia, toma uma obrigação de ano ou seus 7 anos quando lhe tomam abença eles baixam a mão da pessoa para não retribuir a abença?????
Será que e se rebaixar muito em fazer este ato de troca, será que a abença da outra é desnecessária? Outra coisa é a forma de tomar abença, quando tomamos temos que beijar a mão, quando recebemos a troca a pessoa leva nossa mão ao seu QUEICHO, NÃO LEVANDO A SUA BOCA. SERÁ QUE NOSSA MÃO ESTA SUJA? SERÁ QUE O QUEICHO DESTA PESSOA É POR ONDE ELE FALA E NÃO SABEMOS??? Vejo tudo isso como uma GRANDE FALTA DE EDUCAÇÃO. Isso mostra quanto foi mal educado em sua iniciação, mostra que quem o iniciou e/ou o criou não lhe ensinoaram a DOUTRINA, OU É MAL EDUCADO MESMO, SE ACHANDO MAIOR QUE TODOS.
Òrisa se cumprimenta um com os outros, se abração.. Se chegam em outro ase, reverencia o Zelador(a) deste ase!!! Porque estes reles seres humanos que não tem esta educação, como diria os mais antigos (HUNGBE) AGEM DESTA FORMA?
HUMILDADE NÃO É SER SUBJULGADO. TER HUMILDADE E SINOMINO DE SABEDORIA. VAMOS TER MAIS HUMILDADE EM TROCAR ABENÇA COM QUEM QUER QUE SEJA. Esta abença que podemos receber pode nos salvar de alguma coisa ruim que poderia vir a nos acontecer. Já vi isso acontecer inúmeras vezes. Conheci muitos antigos que não, podia ver um IYAWO (Recem iniciado no cultos dos Orisas), que logo ia ao encontro deste para tomar a sua abença. Perguntei porque fazia aquilo já que era muitos mais velho(a) que este recem iniciado? Me respondeu: Meu pai, este recém iniciado esta impreguinado de ase, pois acabou de receber a sua iniciação, ele(a) me abençoando suas palavras vêem emprequinadas de ase e força. Nunca seremos superiores para não precisarmos de uma abença seja ela de quem for!!!! Acho que todos os Zeladore(as), deveriam sempre que possível ensinar a nossa doutrina e liturgia ( assim já o fazem ).
VAMOS TROCAR ABENÇA COM QUER QUE SEJA ELA SEMPRE VAI NOS FAZER BEM. NOSSO ORI AGRADECE TODAS QUE VÊEM COM FORÇA NA PALAVRA EM NOS ABENÇOAR. A TODOS VOCÊS A SUA ABENÇA.
Para Refletir
Prezados irmãos e Amigos desta comunidade. Esta minha postagem é para refletir .
Boa tarde irmãos e amigos do Face! Gostaria de falar sobre uma situação que vejo com freqüência nos terreiros de culto aos Orisas. TOMAR ABENÇA, E TROCAR A BENÇA. Tenho o costume de trocar a bença com todos (Quem me conhece sabe que faço), não me importa quem seja, mais velho (sempre minha obrigação), mais novo, abyian em fim todos.
O ato de tomar abença, é pedir a quem estamos tomando nos abençoe com seu Orisa ou outro que seja. Nos abençoando, estamos sendo protegidos por ela. Não vejo muito esta troca acontecendo. Talvez por VAIDADE, MODISMO, FALTA DE DOUTRINA ETC..... Nossos Zeladores(as) mais antigos sempre vi trocar abença com seus Oloyes, Ogans, Ajoyie e com seus amigos(as) que tem o mesmo cargo. Porque, hoje uma pessoa que mal se inicia, toma uma obrigação de ano ou seus 7 anos quando lhe tomam abença eles baixam a mão da pessoa para não retribuir a abença?????
Será que e se rebaixar muito em fazer este ato de troca, será que a abença da outra é desnecessária? Outra coisa é a forma de tomar abença, quando tomamos temos que beijar a mão, quando recebemos a troca a pessoa leva nossa mão ao seu QUEICHO, NÃO LEVANDO A SUA BOCA. SERÁ QUE NOSSA MÃO ESTA SUJA? SERÁ QUE O QUEICHO DESTA PESSOA É POR ONDE ELE FALA E NÃO SABEMOS??? Vejo tudo isso como uma GRANDE FALTA DE EDUCAÇÃO. Isso mostra quanto foi mal educado em sua iniciação, mostra que quem o iniciou e/ou o criou não lhe ensinoaram a DOUTRINA, OU É MAL EDUCADO MESMO, SE ACHANDO MAIOR QUE TODOS.
Òrisa se cumprimenta um com os outros, se abração.. Se chegam em outro ase, reverencia o Zelador(a) deste ase!!! Porque estes reles seres humanos que não tem esta educação, como diria os mais antigos (HUNGBE) AGEM DESTA FORMA?
HUMILDADE NÃO É SER SUBJULGADO. TER HUMILDADE E SINOMINO DE SABEDORIA. VAMOS TER MAIS HUMILDADE EM TROCAR ABENÇA COM QUEM QUER QUE SEJA. Esta abença que podemos receber pode nos salvar de alguma coisa ruim que poderia vir a nos acontecer. Já vi isso acontecer inúmeras vezes. Conheci muitos antigos que não, podia ver um IYAWO (Recem iniciado no cultos dos Orisas), que logo ia ao encontro deste para tomar a sua abença. Perguntei porque fazia aquilo já que era muitos mais velho(a) que este recem iniciado? Me respondeu: Meu pai, este recém iniciado esta impreguinado de ase, pois acabou de receber a sua iniciação, ele(a) me abençoando suas palavras vêem emprequinadas de ase e força. Nunca seremos superiores para não precisarmos de uma abença seja ela de quem for!!!! Acho que todos os Zeladore(as), deveriam sempre que possível ensinar a nossa doutrina e liturgia ( assim já o fazem ).
VAMOS TROCAR ABENÇA COM QUER QUE SEJA ELA SEMPRE VAI NOS FAZER BEM. NOSSO ORI AGRADECE TODAS QUE VÊEM COM FORÇA NA PALAVRA EM NOS ABENÇOAR. A TODOS VOCÊS A SUA ABENÇA.
O Candomblé é para todo mundo??????
Por Paulo R Carvalho.
O Candomblé é para todo mundo??????
Muitas vezes me peguei pensando nisso.....
Em minha opinião, e sem nenhum intuito de tentar convencer outras pessoas do que penso, acredito que a religião que me adotou, que me escolheu, não é para todo mundo. Simples assim...
Quantas vezes conversando com pessoas antigas as ouviam dizer (parecendo algo combinado, ensaiado entre elas):
“Meu filho, quando era jovem, meus amigos iam se divertir, e eu para a cozinha depenar bicho, lavar roupa, dar ossé ...”
Quando lembrei disso, a resposta a esta pergunta começou a ser dada. Para ser de candomblé, só querer não basta, é necessário o envolvimento, isso obviamente não quer dizer que seja necessário não ter vida própria, más a dedicação e abdicação de algumas coisas se faz necessária, sem sombra de dúvidas.
Não existe outro modo de conhecer, entender e praticar o candomblé que não seja vivendo, participando se envolvendo, sentindo orixá. A nossa convivência com o trato a orixá permite que aprendamos o que fazer para que eles cuidem de nós, nos dê caminho, nos propiciem boa sorte, nos auxiliem para que coisas ruins não nos aconteçam e também nos ensina a não insultá-los.
É comum nos dias de hoje, ver pessoas dizendo que o candomblé não é pra elas, que é uma religião muito sacrificante que exige muita dedicação, até dentro das próprias ilês, dizendo: - Tá vendo se eu fosse crente, não passaria por isto, ou dizendo que depois que foi para o candomblé perdeu tudo, que suas coisas não dão certo. Incentivando aos outros a não se cuidarem nesta religião entre tantas coisas que se vê poraí.
Pra estas pessoas digo, com muita tranqüilidade inclusive, que o candomblé assim como toda religião possui os seus preceitos, assim como em qualquer outra religião, e que os mesmos requer as pessoas de “corpo presente”. Não pense que ser de candomblé é visitar o barracão a cada dia de festa e ir embora imediatamente após o termino da mesma.
Desde que o mundo é mundo é comum ver as pessoas com dificuldades para assumir suas próprias deficiências, reconhecer suas ações ruins (erros), como dizem poraí colocar a mão na consciência e reconhecer suas ações que impedem a sua prosperidade e o seu bem estar. Daí então se tornou hábito colocar a culpa em algo e/ou alguém. Fico penalizado ao ver minha religião, os Bàbás e Iyás, recebendo a culpa de toda sorte de infortúnio de seus filhos por causa de tantas ações equivocadas.
Vejo pessoas nos dias de hoje revoltadas após serem iniciadas para orixá, por que o único objetivo de sua iniciação era ficar rica (financeiramente falando), imediatamente finalizasse seus preceitos. Frases como: “Não ganho um centavo, orixá não quer trabalhar pra mim” - olha o absurdo que agente é obrigado a ouvir - tem sido algo banalizado, e repetido como aquelas frases que papagaio aprende.
Sempre repito, se iniciação fosse condição para enriquecimento a África seria o continente mais rico do mundo e a Bahia seria a cidade mais rica do Brasil. É sabido que há procedimentos para que as atrapalhações saiam da vida da pessoa a ser iniciada, há procedimentos para que as pessoas tenham caminhos abertos, más do que isso adianta se a pessoa não quer passar por estes caminhos? Caminho aberto e sem atrapalhações é pra quem quer andar nele, para quem quer alcançar algo. É muito mais fácil ficar sentado, falando mal de orixá do que ir a luta.
Particularmente, penso que fiquei muito mais rico após minha iniciação, saí dela tendo orixá por mim, não vejo maior riqueza.
O que me abisma ainda mais, é ver estas pessoas que dormem até 12:00, que não se apronta para a vida e que está pouco importando para conquistar algo com o fruto do seu suor, incentivando outras pessoas para não se iniciarem, não se cuidarem, enfim para sair do candomblé.
- Não faça bobagens, veja o meu exemplo, eles dizem.
Eu concordo com essas pessoas, veja mesmo esse exemplo, más não o siga!!! Corra atrás de seus objetivos, orixá estará ao seu lado lhe apoiando, lhe ajudando no que for necessário. Se você se senta e acomoda com a situação, é por que não carece da intervenção de orixá...
Ver o orixá como divino que é, respeitá-lo como seu pai ou mãe como o guardião do teu ori, e não como seu empregado. Entender que o mundo não gira em torno de si (parece às vezes que há uma conspiração divina em torno dos reclamões de plantão), entender que orixá NOS AJUDA a conquistar o que precisamos na hora que precisamos, e não nos dá o que queremos na hora que bem entendemos. Entender que o candomblé é uma religião de união e não de competição. Entender que o culto é “a orixá” e não “a pessoas, egos e vaidades”. Realmente, isso não é pra todo mundo!!!
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