Por Paulo R Carvalho.
O Candomblé é para todo mundo??????
Muitas vezes me peguei pensando nisso.....
Em minha opinião, e sem nenhum intuito de tentar convencer outras pessoas do que penso, acredito que a religião que me adotou, que me escolheu, não é para todo mundo. Simples assim...
Quantas vezes conversando com pessoas antigas as ouviam dizer (parecendo algo combinado, ensaiado entre elas):
“Meu filho, quando era jovem, meus amigos iam se divertir, e eu para a cozinha depenar bicho, lavar roupa, dar ossé ...”
Quando lembrei disso, a resposta a esta pergunta começou a ser dada. Para ser de candomblé, só querer não basta, é necessário o envolvimento, isso obviamente não quer dizer que seja necessário não ter vida própria, más a dedicação e abdicação de algumas coisas se faz necessária, sem sombra de dúvidas.
Não existe outro modo de conhecer, entender e praticar o candomblé que não seja vivendo, participando se envolvendo, sentindo orixá. A nossa convivência com o trato a orixá permite que aprendamos o que fazer para que eles cuidem de nós, nos dê caminho, nos propiciem boa sorte, nos auxiliem para que coisas ruins não nos aconteçam e também nos ensina a não insultá-los.
É comum nos dias de hoje, ver pessoas dizendo que o candomblé não é pra elas, que é uma religião muito sacrificante que exige muita dedicação, até dentro das próprias ilês, dizendo: - Tá vendo se eu fosse crente, não passaria por isto, ou dizendo que depois que foi para o candomblé perdeu tudo, que suas coisas não dão certo. Incentivando aos outros a não se cuidarem nesta religião entre tantas coisas que se vê poraí.
Pra estas pessoas digo, com muita tranqüilidade inclusive, que o candomblé assim como toda religião possui os seus preceitos, assim como em qualquer outra religião, e que os mesmos requer as pessoas de “corpo presente”. Não pense que ser de candomblé é visitar o barracão a cada dia de festa e ir embora imediatamente após o termino da mesma.
Desde que o mundo é mundo é comum ver as pessoas com dificuldades para assumir suas próprias deficiências, reconhecer suas ações ruins (erros), como dizem poraí colocar a mão na consciência e reconhecer suas ações que impedem a sua prosperidade e o seu bem estar. Daí então se tornou hábito colocar a culpa em algo e/ou alguém. Fico penalizado ao ver minha religião, os Bàbás e Iyás, recebendo a culpa de toda sorte de infortúnio de seus filhos por causa de tantas ações equivocadas.
Vejo pessoas nos dias de hoje revoltadas após serem iniciadas para orixá, por que o único objetivo de sua iniciação era ficar rica (financeiramente falando), imediatamente finalizasse seus preceitos. Frases como: “Não ganho um centavo, orixá não quer trabalhar pra mim” - olha o absurdo que agente é obrigado a ouvir - tem sido algo banalizado, e repetido como aquelas frases que papagaio aprende.
Sempre repito, se iniciação fosse condição para enriquecimento a África seria o continente mais rico do mundo e a Bahia seria a cidade mais rica do Brasil. É sabido que há procedimentos para que as atrapalhações saiam da vida da pessoa a ser iniciada, há procedimentos para que as pessoas tenham caminhos abertos, más do que isso adianta se a pessoa não quer passar por estes caminhos? Caminho aberto e sem atrapalhações é pra quem quer andar nele, para quem quer alcançar algo. É muito mais fácil ficar sentado, falando mal de orixá do que ir a luta.
Particularmente, penso que fiquei muito mais rico após minha iniciação, saí dela tendo orixá por mim, não vejo maior riqueza.
O que me abisma ainda mais, é ver estas pessoas que dormem até 12:00, que não se apronta para a vida e que está pouco importando para conquistar algo com o fruto do seu suor, incentivando outras pessoas para não se iniciarem, não se cuidarem, enfim para sair do candomblé.
- Não faça bobagens, veja o meu exemplo, eles dizem.
Eu concordo com essas pessoas, veja mesmo esse exemplo, más não o siga!!! Corra atrás de seus objetivos, orixá estará ao seu lado lhe apoiando, lhe ajudando no que for necessário. Se você se senta e acomoda com a situação, é por que não carece da intervenção de orixá...
Ver o orixá como divino que é, respeitá-lo como seu pai ou mãe como o guardião do teu ori, e não como seu empregado. Entender que o mundo não gira em torno de si (parece às vezes que há uma conspiração divina em torno dos reclamões de plantão), entender que orixá NOS AJUDA a conquistar o que precisamos na hora que precisamos, e não nos dá o que queremos na hora que bem entendemos. Entender que o candomblé é uma religião de união e não de competição. Entender que o culto é “a orixá” e não “a pessoas, egos e vaidades”. Realmente, isso não é pra todo mundo!!!
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