A cultura negra, trazida para a terra brasilis durante o período colonial, influenciou ricamente a construção da nação brasileira, e o Candomblé, religião que representa significativamente essa herança afro, é uma das principais manifestações desta cultura. Este Blogger foi criado com a intenção de interagir com as demais comunidades e casas , levar informações sobre o culto afro descendente candomblé e informar sobre os acontecimentos do nosso Egbé.
Iyálòòrisá Cris Ty Òsún
Iyálòòrisá Cris Ty Òsún
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Convite
O Asé Òlútòjú,vem na presença da Yálòrisá Cris ty Òsún convidar a todos para a festa da Cigana Salomé.
A realizar se dia 03/11/2012 ás 20:00 hrs
Endereço : Rua 19 Qd 20 Lt 27 Setor Marista Sul
Aparecida de Goiânia,Goiás
Fone : (62) 3248-9311 begin_of_the_skype_highlighting (62) 3248-9311 end_of_the_skype_highlighting begin_of_the_skype_highlighting (62) 3248-9311 begin_of_the_skype_highlighting (62) 3248-9311 end_of_the_skype_highlighting
end_of_the_skype_highlighting
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Rezas/Orikis
ORIKIS
Os Oríkì (do yorùbá, orí = cabeça, kì = saudar) são versos, frases ou poemas que são formados para
saudar o orixá referindo-se a sua origem, suas qualidades e sua ancestralidade.
Os Oríkì são feitos para mostrar grandes feitos realizados pelo orixá.
Com isso, podemos nos deparar com Oríkì não somente para os nossos Orixás,
mas também para pessoas que foram grandes lideres, caçadores,
governantes, sacerdotes, reis, rainhas, príncipes e todas as pessoas,
em que em um passado distante ou recente fizeram algo de importante para com uma comunidade
ou para com o povo. Porém para entendermos bem o significado desses Oríkì,
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
A instituição de confrarias religiosas
FONTE AWOFA IFAKEMI MIGUEL
A
instituição de confrarias religiosas, sob a égide da Igreja Católica, separava
as etnias africanas. Os pretos de Angola formavam a "Venerável Ordem
Terceira do Rosário de Nossa Senhora das Portas do Carmo", fundada na
Igreja de Nossa Senhora do Rosário do Pelourinho. Os Daomeanos (gegês)
reuniam-se em volta da devoção de "Nosso Senhor Bom Jesus das Necessidades
e Redenção dos Homens Pretos", na capela do Corpo Santo, na Cidade Baixa.
Os Nagôs, cuja maioria pertencia à Nação Yorubá, formavam duas irmandades: uma
das mulheres e da "Nossa Senhora da Boa Morte"; outra reservada aos
homens, a de "Nosso Senhor dos Martírios".
Essa separação por etnias completava o que já havia esboçado a instituição dos batuques do século precedente e permitia aos escravos, libertos ou não, assim reagrupados, praticar juntos novamente, em locais situados fora das igrejas, os cultos de seus deuses africanos.
Várias mulheres enérgicas e voluntariosas, originárias de Ketu, antigas escravas libertas, pertencentes à irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte e da Igreja da Barroquinha, teriam tomado iniciativa de criar um terreiro de candomblé chamado Iya Omi Axé Aira Intilé, numa casa situada à ladeira do Berquó, hoje Rua Visconde de Itaparica, próxima a Igreja da Barroquinha. As versões sobre o assunto são numerosas e variam bastante quando relatam as diversas peripécias que acompanharam esta realização. Os nomes dessas mulheres são eles mesmos controversos. Duas delas, chamadas Iyalussô Danadana e Iyanassô Àkàlà, segundo alguns, auxiliadas por um certo Baba Assiká, saudado como Essá Assiká no Ipadê do qual falaremos mais tarde, teriam sido as fundadoras do terreiro de Axé Airá Intilé. Iyalussô Danadana, segundo consta, regressou à África e lá morreu. Iyanassô teria, pelo seu lado, viajado para Ketu, acompanhada por Marcelina da Silva. Não se sabe, exatamente, se esta era sua filha de sangue, ou filha espiritual - isto é, iniciada por ela no culto dos Orixás - ou, ainda, se se tratava de uma prima sua. As opiniões sobre o assunto são divergentes e tornam-se objeto de eruditas discussões, estando, porém, todos de acordo em declarar que seu nome de iniciada era Obatossí.
Marcelina-Obatossí fez-se acompanhar nessa viagem por sua filha Madalena. Após sete anos de permanência em Ketu, o pequeno grupo voltou acrescido de duas crianças que Madalena havia tido na África e grávida de uma terceira, Claudiana, que será, por sua vez, mãe de Maria Babiana do Espírito Santo, Mãe Senhora, Oxunmiwá, da Qual tive a insigne honra de tornar-me filho espiritual, assim como Carybé, Jorge amado, Waldeloir Rego, Emanoel Araújo, todos colaborador desta obra. Iyanassô e Obatossí trouxeram de Ketu, além destas filhas e netas, um africano chamado Bangbose, que recebeu na Bahia o nome de Rodolfo Martins de Andrade, e que no Ipadê, ao qual me referi acima, é saudado como Essá Obitikô.
Essa separação por etnias completava o que já havia esboçado a instituição dos batuques do século precedente e permitia aos escravos, libertos ou não, assim reagrupados, praticar juntos novamente, em locais situados fora das igrejas, os cultos de seus deuses africanos.
Várias mulheres enérgicas e voluntariosas, originárias de Ketu, antigas escravas libertas, pertencentes à irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte e da Igreja da Barroquinha, teriam tomado iniciativa de criar um terreiro de candomblé chamado Iya Omi Axé Aira Intilé, numa casa situada à ladeira do Berquó, hoje Rua Visconde de Itaparica, próxima a Igreja da Barroquinha. As versões sobre o assunto são numerosas e variam bastante quando relatam as diversas peripécias que acompanharam esta realização. Os nomes dessas mulheres são eles mesmos controversos. Duas delas, chamadas Iyalussô Danadana e Iyanassô Àkàlà, segundo alguns, auxiliadas por um certo Baba Assiká, saudado como Essá Assiká no Ipadê do qual falaremos mais tarde, teriam sido as fundadoras do terreiro de Axé Airá Intilé. Iyalussô Danadana, segundo consta, regressou à África e lá morreu. Iyanassô teria, pelo seu lado, viajado para Ketu, acompanhada por Marcelina da Silva. Não se sabe, exatamente, se esta era sua filha de sangue, ou filha espiritual - isto é, iniciada por ela no culto dos Orixás - ou, ainda, se se tratava de uma prima sua. As opiniões sobre o assunto são divergentes e tornam-se objeto de eruditas discussões, estando, porém, todos de acordo em declarar que seu nome de iniciada era Obatossí.
Marcelina-Obatossí fez-se acompanhar nessa viagem por sua filha Madalena. Após sete anos de permanência em Ketu, o pequeno grupo voltou acrescido de duas crianças que Madalena havia tido na África e grávida de uma terceira, Claudiana, que será, por sua vez, mãe de Maria Babiana do Espírito Santo, Mãe Senhora, Oxunmiwá, da Qual tive a insigne honra de tornar-me filho espiritual, assim como Carybé, Jorge amado, Waldeloir Rego, Emanoel Araújo, todos colaborador desta obra. Iyanassô e Obatossí trouxeram de Ketu, além destas filhas e netas, um africano chamado Bangbose, que recebeu na Bahia o nome de Rodolfo Martins de Andrade, e que no Ipadê, ao qual me referi acima, é saudado como Essá Obitikô.
O terreiro fundado por trás da
Barroquinha mudou-se por diversas vezes e, após ter passado pelo Calabar, na
Baixa de São Lázaro, instalou-se sob o nome de Ilé Iyanassô, no local
onde ainda hoje se encontra, sendo familiarmente chamado de Casa Branca do
Engenho Velho, no qual Marcelina-Obatossí tornou-se Mãe de Santo,
após a morte de Iyanassô. Verifica-se ligeira divergência na versão dada
por Dona Menininha, relativa às origens dos terreiros provenientes da Barroquinha.
O nome de Iyalussô Danadana não é mencionado. A primeira Mãe de Santo
teria sido Iyá Àkàlà (distinta de Iyanassô) que, tendo regressado à
África, aí mesmo veio a falecer. A segunda Mãe de Santo teria sido Iyanassô
Oká (e não Àkàlà). Não se sabe com precisão a data de todos esses
acontecimentos, pois, no início do século XIX, a religião católica era ainda a
única autorizada. As reuniões de protestantes eram toleradas só para os
estrangeiros; o Islamismo, que provocara uma série de revoltas de escravos
entre 1808 e 1835, era formalmente proibido e perseguido com extremo rigor; os
cultos aos deuses africanos eram ignorados e passados por práticas
supersticiosas. Tais cultos tinham um caráter clandestino e as pessoas que nele
tomavam parte eram perseguidas pelas autoridades.
Por volta de 1826, a polícia da Bahia
havia recolhido no decorrer de buscas efetuadas com o objetivo de prevenir
possíveis levantes de africanos, escravos ou livres, na cidade ou nas
redondezas, tambores (atabaques), espanta-moscas e outros objetos que pareciam
mais adequados ao candomblé, para adoração dos Orixás Yorubás, do que a sua
sangrenta revolução. Nina Rodrigues se refere a certo quilombo, existente nas
matas do Urubú, em Pirajá, "o qual se mantinha com o auxílio de uma casa
de fetiche da vizinhança, chamada a casa do Candomblé".
Um artigo do jornal da Bahia, de 3 de maio de 1855, faz alusão a uma reunião na casa Ilê Iyanassô: "Foram presos e colocados à disposição da polícia, Cristóvam Francisco Tavares, africano emancipado, Maria Salomé, Joana Francisca, Leopoldina Maria da Conceição, Escolástica Maria da Conceição, o mesmo com o qual seria batizada, trinta e cinco anos mais tarde, Dona Menininha, a famosa Mãe de Santo do Gantois, cujos pais, à esta época, sem dúvida, freqüentavam ou faziam parte do terreiro de Ilé Iyanassô, onde houve esta ação policial.
Com a morte de Marcelina da Silva Obatossí, foi Maria Julia Figueiredo Omonikê, também chamada Iyalodê Erelú, na sociedade dos Geledés, que se tornou a nova Mãe de Santo. Isso provocou sérias discussões entre os membros mais antigos do terreiro de Ilê Iyanassô, tendo como consequência a criação de dois novos terreiros, originários do primeiro. Júlia Maria da Conceição Nazaré, cujo Orixá era Dadá Bayani Ajaku, fundou um terreiro chamado Iya Omi Axé Iyamase, no alto dos Gantois, cuja Mãe de Santo e quarta a ocupar este local, foi Dona Escolástica Maria da Conceição Nazaré, Menininha, a última das famosas Mãe de Santo da antiga geração. Segundo Menininha, Júlia Maria da Conceição Nazaré, fundadora do terreiro do Gantois teria sido a irmã de santo e não filha de Santo de Marcelina Obatossí. Um personagem importante nos meios do candomblé, chamado Babá Adetá Okalendé, consagrado a Oxossi, Originário de Ketu, teria tido um papel importante quando foi criado o terreiro do Gantois, Iya Omi Axé Iyamase.
Eugênia Ana Santos, Aninha Obabiyi, cujo Orixá era Xangô, auxiliada por Joaquim Vieira da Silva, Obasanya, um africano vindo do Recife e saudado Essá Oburô, no Ipadê ao qual já fizemos alusão, fundaram outro terreiro saído do Ilé Iyanassô e chamado "Centro Cruz Santa do Axé de Opô Afonjá", que foi instalado, em 1910, em São Gonçalo do Retiro, depois do Axé ter funcionado provisoriamente no lugar denominado Camarão, no bairro do Rio Vermelho. Sob o impulso dessa grande Mãe de Santo, o novo terreiro rapidamente igualou - e talvez, mesmo, tenha ultrapassado - em reputação os outros candomblés Ketu. Maria da Purificação Lopez, Tia Bada Olufandeí, sucedeu, em 1938, a Aninha e deixou, em 1941, o encargo do terreiro a Maria Bibiana do Espírito santo, Mãe Senhora Oxunmiwá, filha espiritual de Aninha Obabiyi.
Um artigo do jornal da Bahia, de 3 de maio de 1855, faz alusão a uma reunião na casa Ilê Iyanassô: "Foram presos e colocados à disposição da polícia, Cristóvam Francisco Tavares, africano emancipado, Maria Salomé, Joana Francisca, Leopoldina Maria da Conceição, Escolástica Maria da Conceição, o mesmo com o qual seria batizada, trinta e cinco anos mais tarde, Dona Menininha, a famosa Mãe de Santo do Gantois, cujos pais, à esta época, sem dúvida, freqüentavam ou faziam parte do terreiro de Ilé Iyanassô, onde houve esta ação policial.
Com a morte de Marcelina da Silva Obatossí, foi Maria Julia Figueiredo Omonikê, também chamada Iyalodê Erelú, na sociedade dos Geledés, que se tornou a nova Mãe de Santo. Isso provocou sérias discussões entre os membros mais antigos do terreiro de Ilê Iyanassô, tendo como consequência a criação de dois novos terreiros, originários do primeiro. Júlia Maria da Conceição Nazaré, cujo Orixá era Dadá Bayani Ajaku, fundou um terreiro chamado Iya Omi Axé Iyamase, no alto dos Gantois, cuja Mãe de Santo e quarta a ocupar este local, foi Dona Escolástica Maria da Conceição Nazaré, Menininha, a última das famosas Mãe de Santo da antiga geração. Segundo Menininha, Júlia Maria da Conceição Nazaré, fundadora do terreiro do Gantois teria sido a irmã de santo e não filha de Santo de Marcelina Obatossí. Um personagem importante nos meios do candomblé, chamado Babá Adetá Okalendé, consagrado a Oxossi, Originário de Ketu, teria tido um papel importante quando foi criado o terreiro do Gantois, Iya Omi Axé Iyamase.
Eugênia Ana Santos, Aninha Obabiyi, cujo Orixá era Xangô, auxiliada por Joaquim Vieira da Silva, Obasanya, um africano vindo do Recife e saudado Essá Oburô, no Ipadê ao qual já fizemos alusão, fundaram outro terreiro saído do Ilé Iyanassô e chamado "Centro Cruz Santa do Axé de Opô Afonjá", que foi instalado, em 1910, em São Gonçalo do Retiro, depois do Axé ter funcionado provisoriamente no lugar denominado Camarão, no bairro do Rio Vermelho. Sob o impulso dessa grande Mãe de Santo, o novo terreiro rapidamente igualou - e talvez, mesmo, tenha ultrapassado - em reputação os outros candomblés Ketu. Maria da Purificação Lopez, Tia Bada Olufandeí, sucedeu, em 1938, a Aninha e deixou, em 1941, o encargo do terreiro a Maria Bibiana do Espírito santo, Mãe Senhora Oxunmiwá, filha espiritual de Aninha Obabiyi.
Pelo jogo complicado das filiações,
Senhora era Bisneta de Obatossí por laços de sangue e sua neta somente por
laços espirituais da iniciação. Em outros termos, Iyanassô Akalá (ou Oká)
foi, na geração anterior, ao mesmo tempo, a bisavó e a trisavó de Senhora. As
coisas ficaram ainda mais complicadas quando Senhora recebeu, em 1952, o título
honorífico de Iyanassô, dado pelo Alafin Oyó da Nigéria, por
intermédio de uma carta de que tivera a honra de ser portador. Senhora,
abolindo o tempo passado, graças a esta distinção, tornou-se espiritualmente
fundadora desta família de terreiros de candomblé da nação Ketu, na Bahia,
confirmando tão elevada posição em 1962, quando foi presidir, seguida de seus
ogans (onde figuravam os colaboradores desta obra, Carybé, Jorge Amado,
Waldeloir Rêgo e eu mesmo), o Axexê ou cerimônia mortuária da saudosa, e
mais que centenária, Mãe de Santo do Ilê Iyanassô da Casa Branca do
Engenho Velho, Maximiana Maria da Conceição, Tia Massi Oinfunkê.
Esta dignidade recebida da África por
Senhora provocou, diga-se de passagem, comentários e rumores, os
"fuxicos" que agitam e apaixonam as pessoas que pertencem a esse
pequeno mundo, cheio de tradição, onde as questões de etiqueta, de direitos
fundamentados sobre o valor dos nascimentos espirituais, de primazias, de
gradação nas formas elaboradas de saudações, de prosternações, de ajoelhamentos
são observadas, discutidas e criticadas apaixonadamente; neste mundo onde o
beija-mão, as curvaturas, as respeitosas inclinações de cabeça, as mãos
ligeiramente balançadas em gestos abençoadores representam um papel tão
minucioso e docilmente praticado como na Corte do Rei Sol. Os terreiros de
candomblé são os últimos lugares onde as regras do bom tom reinam ainda
soberanamente.
Após o desaparecimento da saudosa Mãe
Senhora, em 1967, duas novas Mães de Santo lhe sucederam à frente do Axé Opô
Afonjá. A atual Maria Estella de Azevedo Santos, Odé Kayodê,
retomando a tradição de Iyanassô e de Obatossí, foi fazer uma viagem às fontes,
na Nigéria e no ex-Daomé.
Após a morte de Senhora, outros terreiros foram criados, originários todos do Axé Opô Afonjá formando uma terceira geração desta família de candomblés que nasceu na Barroquinha. Citemos o Axé Opô Aganju, de Balbino Daniel de Paula, Obaraim, que viajou para áfrica e aí participou das festas para Xangô, com perfeita naturalidade, como se sua família na houvesse deixando aquele país há várias gerações.
Após a morte de Senhora, outros terreiros foram criados, originários todos do Axé Opô Afonjá formando uma terceira geração desta família de candomblés que nasceu na Barroquinha. Citemos o Axé Opô Aganju, de Balbino Daniel de Paula, Obaraim, que viajou para áfrica e aí participou das festas para Xangô, com perfeita naturalidade, como se sua família na houvesse deixando aquele país há várias gerações.
Existem numerosos outros
terreiros que seguem o ritual Kétu, como o do Ilé Mariolajê no Matatu,
mais conhecido sob o nome de Alaketu, cuja Mãe de Santo atual, Olga
de Alaketu, já foi várias vezes à África. Citemos, ainda, o terreiro de Ilé
Ogunjá, também do Matatu, do falecido Pai de Santo Procópio Xavier de
Souza, Ogunjobí.
Ao lado dos terreiros
Nagô-Kétu, há na Bahia os da nação Ijexá. O mais digno dentre deles é o de
Eduardo Ijexá, ou Eduardo Antônio Mangabeira, meio-irmão de Otávio Mangabeira,
que foi governador do Estado da Bahia. Durante a década de 50 ele enviou cartas
redigidas em perfeito Yorubá a seu distante parente, o Rei de Ijexá.
Os terreiros Gegê, onde se
praticava o culto dos Voduns do Daomé, eram mais raros. O mais conhecido era o
do Bogum, da falecida Emiliana Piedade dos Reis, à qual sucedeu a falecida
Valentina Maria dos Anjos, mãe Runhó.
Os cultos Gegê e Nagô (yoruba)
se fundiam em terreiros como o de Osumarê, na Rua Vasco da Gama, dos falecidos Antônio
de Oxumaré, Cotinha e Simpliciana.
O ritual dos cultos de
origem Bantu era inicialmente diferente das cerimônias Nagôs e Gegês.
Misturaram-se, depois, tornando-se bastante próximos. A originalidade destes
cultos Bantus é difícil de definir. Não se sabe se os rituais Gegê e Nagô foram
ou não influenciados por escravos do Congo e de Angola, já presentes no Brasil
em grande quantidade, no final do século XVII. Relações mais constantes
estabeleceram-se nos séculos posteriores, entre Bahia e Pernambuco e a Costa
dita dos Escravos; a maioria dos cativos desembarcaram nestas duas províncias
era constituída, então, pelos Gegês e Nagô (Daomeanos e Yorubás).
Expulsemos, em outras
obras, as razões comerciais criadas pela presença do fumo na Bahia e em
Pernambuco, razões que determinam a afluência dos Gegês e dos Nagôs a estas
duas regiões, a partir do século XVIII, e não às outras partes do Brasil, onde
os Congos e Angolas continuaram a ser importados em grande proporção.
A palavra candomblé, que
serve para designar, na Bahia, as religiões africanas em geral, parece ser de
origem Bantu. É possível que as influências das religiões vindas destas regiões
não se restringissem, apenas, ao nome dado às cerimônias, mas tivessem dado aos
cultos Gegê e Nagô na Bahia uma forma diferente, em certos detalhes, destas
mesmas manifestações na África.
Um estudo em separado do ritual Bantu na Bahia á tarefa bastante difícil, pois seria necessário fazê-lo em diversos pontos do Brasil, em lugares onde esta influência Gegê-Nagô não se tivesse feito sentir. Na Bahia, temos que nos contentar com a presença de alguns cantos e ritmos de tambores. Seria necessário, também, localizar os termos Bantu ainda conhecidos, termos estes que os participantes de terreiros Bantus têm tendência a exprimir no seu equivalente Nagô, seja por espírito de descrição, seja para falar numa língua compreensível a seus interlocutores.
Existem na Bahia o terreiro Congo do falecido Manoel Bernardino da Paixão, o Bate Folha, no bairro de Beiru; o terreiro Angola da falecida Maria Neném do Tumbeuci, também no Beiru, e o de seu Filho de Santo, o falecido Manoel Ciríaco de Jesus, o Tumba Juçara, no Alto do Corrupio, hoje sob direção da Mãe de Santo Dere.
Um estudo em separado do ritual Bantu na Bahia á tarefa bastante difícil, pois seria necessário fazê-lo em diversos pontos do Brasil, em lugares onde esta influência Gegê-Nagô não se tivesse feito sentir. Na Bahia, temos que nos contentar com a presença de alguns cantos e ritmos de tambores. Seria necessário, também, localizar os termos Bantu ainda conhecidos, termos estes que os participantes de terreiros Bantus têm tendência a exprimir no seu equivalente Nagô, seja por espírito de descrição, seja para falar numa língua compreensível a seus interlocutores.
Existem na Bahia o terreiro Congo do falecido Manoel Bernardino da Paixão, o Bate Folha, no bairro de Beiru; o terreiro Angola da falecida Maria Neném do Tumbeuci, também no Beiru, e o de seu Filho de Santo, o falecido Manoel Ciríaco de Jesus, o Tumba Juçara, no Alto do Corrupio, hoje sob direção da Mãe de Santo Dere.
Destaquemos, finalmente, o
caso do falecido Pai de Santo João Alves de Torres, mais conhecido como
Joãozinho da Goméa, que deve seu renome ao Caboclo Pedra Preta, e cujo culto,
realizando à maneira africana, era dedicado aos ancestrais indígenas, Senhores
desta Terra do Brasil. Iniciando no ritual Angola por Jubiabá, Joãozinho
foi herdeiro de uma Yansã e se orientou, cada vez mais, em direção ao ritual
Nagô. Este caso nos parece típico da ascendência exercida pelo ritual Nagô
sobre as religiões de etnias diferentes.
Na própria África, as
religiões Bantus parecem centradas sobre uma série de devoções aos ancestrais
de um grupo familiar reduzido e não sobre o culto de deuses ligados às forças
da natureza. É possível que existissem estes tipos de cultos, mas, na Bahia,
eles tomaram uma forma bem próxima da concepção Yorubá.
ALGUNS ARQUÉTIPOS DE ORISA
ORISA ÈSÚ -
São pessoas geralmente de um caráter variado, ao mesmo tempo bom e ruim, são
pessoas compreensivas, principalmente com os problemas alheios, são
conselheiros, intriguentos, procuram fazer tudo certo, mas se resolverem fazer
tudo errado não há quem os agüente. são pessoas fortes, incansáveis,
desordeiros, animados, alegres e brincalhões, e gostam de fiscalizar os outros,
gostam de resolver encrencas das outras pessoas, ciumentos e interesseiros.
ORISA ÒGÙN
- São pessoas que nada temem, atléticos, agressivos, e de mau humor, como
marido são brutos, viris e conquistadores, costumam separar e juntar, são
rápidos agem sem pensar, ofende-se facilmente, são insistentes naquilo que
desejam, geralmente emotivos, impacientes e brigões, arrepende-se facilmente,
gostam de comer bem, e de beber, temperamento difícil, mas de muita iniciativa.
ORISA OSOOSI
- São pessoas espertas, ágeis e esbeltos, têm senso de responsabilidade,
apaixonados, românticos, carinhosos, volúveis e narcisistas. São festeiros,
amáveis, educados e muito estimados, podem a chegar a serem falsos e
traiçoeiros. Tem muitas qualidades artísticas, muita criatividade, iniciativa,
são muito curiosos, às vezes agressivos e franco a ponto de serem grosseiros,
são pessoas que não guardam segredos.
ORISA OSANIYN
- São pessoas frágeis, saúde delicada, esforçados, volúveis, sem ambições,
estudiosos, sonhadores, esquisitos e desligados, preservam a liberdade,
propenso a homossexualidade, dotados de muita energia, prestativos, carentes
desinteressados, ligados a família, mas gostam de viver de forma independente.
ORISA OMOLU
- São pessoas que trazem no corpo a marca deste orisa, resistente diante das
doenças, relacionamento social difícil, os homens geralmente não tem sorte com
as mulheres, se for mulher pode não ser boa mãe, gostam da família, dedicam a
outras pessoas a ponto de esquecer de si próprio, generosos e com senso de
responsabilidade, gostam de se modificar, reservados e caseiros. O que é seu é
seu, não admitem que nada lhe seja tomado, tem muita intuição.
ORISA OSÚMÁRÈ
- São pessoas com tendência a riquezas, generosos, não negam ajuda, tem beleza
própria, são elegantes, despertam atenções, pessoas dadas e surpresas,
dinâmicos e curiosos, inteligentes, espertos, pacientes e perseverantes. Às
vezes um pouco exibicionistas e raivosos, possuem cacoetes, são cobras
embrulhadas em papel de presentes, dão o bote sem esperar.
ORISA NÀNÀ
- São pessoas velhas antes do tempo, lentas nos atos e ações, calmas,
equilibradas e muito trabalhadoras, gentis e dignas, tem reservas sobre os
homens, resistência física austera, sem beleza ou vaidade, não suportam
desordem, e desperdícios, gostam de crianças, são sabias, carinhosas,
ranzinzas, e gostam de costurar e cozinhar.
ORISA ÒSUN
- São pessoas graciosas, elegantes, sensíveis e delicadas. O encanto são armas
para conseguir o que desejam, chegam a ser infantis, não recusam nada, premonição,
podem ser perigosas, falsas, egoístas, calma, adoram jóias, tendência a
perdê-las, buscam sempre uma posição social, emotivas, voz suave, independentes, meigas, sorridentes e muitas
vez preguiçosas, tem tendências a muitos problemas conjugais e são muito astutas.
ORISA ÒBÀ
- São mulheres de muito valor, mas incompreendidas, atitudes agressivas em
virtude da experiência não são bem sucedidas, tendências viris, ambiciosas,
buscam tudo na vida, não gostam de perder, são masculinizadas, tem forte
aparência física, não levam desaforos, julgam-se superiores, junto às outras
pessoas e as outras mulheres.
ORISA ÌYÈMÒNJÁ
- São pessoas imprevisíveis como as ondas, ciumentas, esposas e mãe zelosas,
perdoam, mas não esquecem, são muito desconfiadas, fazem as coisas e tiram o
corpo fora, se perdoam não esquecem, aparentemente calmas, dão para os negócios,
se forem magras fogem do conceito, e se tornam perigosas, exigentes, não
respeitam a posição assumidas.
ORISA IANSA/OYÁ
- São pessoas audaciosas, poderosas, astutas, e ciumentas, dedicadas ao
companheiro, não admitindo ser enganadas, fieis e leais, podendo mudar caso
seja contrariadas em seus projetos, são vistosas, e tem muito apetite sexual,
são do momento, estão sempre bem diante dos problemas, sabem viver na
tempestade, são irrequietas, tem muita energias e dinamismo.
ORISA SÀNGÒ
- São pessoas conscientes de uma suposta beleza, sentimentos ligados a justiça,
não admitem serem contrariados, podendo ser violentos e incontroláveis,
tendência a obesidade, ligados a mãe, tem poder de liderança, gostam da vida, mas temem a morte,
são vingativas, orgulhosas, teimosas, atrevidas, elegantes, gulosos, dorminhocos, são asseados,
conquistadores, infiéis, ciumentos, senhores de suas obrigações, as vezes pão duros, não sabem perdoar, mas muito
brincalhões.
ORISA OLÒGÚNODE
- Geralmente são pessoas bonitas, e de trato fácil, orgulhosos de sua beleza,
eternos jovens e mulherengos, calmos e educados, ciumentos, individualistas,
pão duro, narcisistas, o que é seu é seu, muito vaidosos, gostam de demonstrar
grandezas, quando ver coisas caras ou baratas, compram sempre as mais caras.
ORISA ÒSÒLÙFON/OBATALÁ - São pessoas calmas e dignas, teimosas, não mudam planos,
nem mesmo opiniões contrarias, assumem as conseqüências dos seus atos, frágeis,
podem ter defeitos de nascença no corpo, friorentos, vingativos, podem ficar afastados dos destinos
carnais, alto controle, perfeição, custo simples, observadores, odeiam barulho,
sujeira, e desordem, chegam a ser altamente respeitável, não perdoam, irritam
os outros com sua prepotência e insegurança,
liderança, são orgulhosos, se fizerem para eles haverá retorno.
ORISA ÒSÒGIYÀN
- São pessoas altas, robustos e amigos das mulheres, gostam de mandar,
vaidosos, dificuldades no emprego, não gostam de ser mandados, procuram
pressionar, são faladores, brincalhões, tem muita intuição, são alegres, gostam
da vida, não são agressivos, mandões, preguiçosos, sonsos, podem até vir a ser
falso, dividem tudo o que tem com os outros.
NAÇÃO KETU
A
IMPORTÂNCIA DOS MITOS NO CANDOMBLÉ
A Religião
dos Orixás remonta de muitos séculos, sendo um dos mais antigos cultos religiosos
de toda história da humanidade.
O
objetivo principal deste culto é o equilíbrio entre o ser humano e a divindade
aí chamada de orixá.
A
religião de orixá tem por base ensinamentos que são passados de geração a
geração de forma oral.
Basicamente
este culto está assim organizado:
1o
Olorun - Senhor Supremo ou Deus Todo
Poderoso
2o
Olodumare – Senhor do Universo
3o
Orunmilá – Divindade da Sabedoria
(Senhor do Oráculo de Ifá)
4o
Orixá – Divindade de Comunicação
entre Olodumare e os homens, sendo os seus “filhos” chamados de elegun, onde a palavra elegun quer dizer "aquele
que pode ser possuído pelo Orixá"
5o Egungun – Espíritos dos Ancestrais
5o Egungun – Espíritos dos Ancestrais
Os
mitos são muito importantes no culto dos orixás, pois é através deles que
encontramos explicações plausíveis para determinados ritos.
Sem
estas estórias, lendas ou ÌTAN seria
difícil ter respostas a sérios enigmas, como o envolvimento entre a vida do ser
humano e do próprio orixá.
O
MITO DA CRIAÇÃO (Segundo a Tradição Yorubá)
Olodumaré
enviou OBATALÁ (Oxalá – corruptela de Orinsaalá)
para que criasse o mundo. A ele foi confiado um saco de
areia, uma galinha com 5 (cinco) dedos e um camaleão. A areia deveria
ser jogada no oceano e a galinha posta em cima para que ciscasse e fizesse
aparecer a terra. Por último, colocaria o camaleão para saber se a terra estava
firme.
Oxalá
foi avisado para fazer uma oferenda a Exu antes de
sair para cumprir sua missão. Por ser um orixá funfun, Oxalá se achava acima de todos e, sendo assim,
negligenciou a oferenda à Exu. Descontente, Exu
resolveu vingar-se de Oxalá, fazendo-o sentir muita sede. Não tendo outra alternativa, Oxalá furou com seu OPASORO o tronco de uma palmeira. Dela escorreu um líquido
refrescante que era o vinho de Palma. Com o vinho, ele saciou sua sede,
embriagou-se e acabou dormindo.
Olodumaré,
vendo que Obatalá não havia cumprido
a sua tarefa, enviou Oduduwa para
verificar o ocorrido. Ao retornar e avisar que Oxalá estava embriagado, Oduduwa cumpriu sua tarefa e os outros
orixás vieram se reunir a ele, descendo dos céus, graças a uma corrente que
ainda se podia ver no Bosque de Olose.
Apesar
do erro cometido, uma nova chance foi dada à Oxalá: a
honra de criar os homens. Entretanto, incorrigível, embriagou-se novamente e
começou a fabricar anões, corcundas, albinos e toda espécie de monstros.
Oduduwa
interveio novamente. Acabou com os monstros gerados por Oxalá e criou homens
sadios e vigorosos, que foram insuflados com a vida por Olodumaré.
Esta
situação provocou uma guerra entre Oduduwa
e Oxalá. O último, Oxalá, foi então derrotado e Oduduwa tornou-se o primeiro Oba Oni Ifé ou "O primeiro Rei
de Ifé".
Abian
O QUE É ABION – ABIAN - ABIÃ
ABIYAN: Dentro dos cultos
afro-brasileiros existe uma categoria de pessoas que são classificadas de Abiyans.
A
PALAVRA ABIYAN QUER DIZER: ABI = "AQUELE QUE" E AN (ON)
= SERIA UMA CONTRAÇÃO DE "ONÃ"
(ONOON),
QUE QUER DIZER “CAMINHO”.
AS
DUAS PALAVRAS AGLUTINADAS FORMARAM O TERMO ABIYAN (ABION), QUE
QUER DIZER “AQUELE QUE COMEÇA”, “UM NOVO
CAMINHO”.
O
ABIYAN É UMA PESSOA QUE ESTÁ COMEÇANDO UM NOVO CAMINHO, UMA NOVA VIDA
ESPIRITUAL.
O Abiyan também pode ter fios de contas
lavados, tomar axé de ebori e, até em alguns casos, ter orixá assentado.
O Abiyan é um
pré-iniciado e não um simples frequentador, como muitas das vezes é
classificado. Pode desempenhar várias atividades dentro de um terreiro, como,
por exemplo, varrer, ajudar na limpeza, ajudar nos cafés da manhã e almoços
comunitários realizados em dias de festas de orixá, lavar louças, ajudar na
decoração do barracão, enfim, o Abiyan pode desempenhar várias tarefas sem
maior envolvimento religioso.
O período de Abiyan
é de muita importância, pois, é nesse período que o recém-chegado passa a
observar o comportamento e a conviver com os já iniciados.
Existem pessoas que passaram por um longo período sendo Abiyan,
antes de se iniciarem. Portanto, vale ressaltar a importância deste período, ou
seja, Abiyan e dizer que o
frequentador em yorubá, chama-se Lemó-mú.
Fonte Awofa Ifakemi Miguel
sábado, 6 de outubro de 2012
Intolerância religiosa
As leis que todos devemos conhecer !
Intolerância religiosa é CRIME !!!!!
A liberdade de crença é um direito assegurado na Constituição Federal que necessita urgentemente de validade pratica, de modo que toda e qualquer crença ou religião possa ser exercida num contexto de respeito, paz e compreensão.
De outra parte, a intolerância e a discriminação que há séculos perseguem as religiões de matriz africana representam uma das faces mais perversas do racismo brasileiro.
Liberdade de reunião, de culto e de liturgia são direitos previstos na Constituição Federal.
Respeitando-se a lei, todos podem reunir-se pacificamente para manifestar sua crença, sem qualquer tipo de obstáculo do Poder Público ou de particulares.
O culto pode ser realizado e locais fechados ou abertos, ruas, praças, parques, praias, bosques, florestas ou qualquer outro local de acesso publico.
Segundo a Constituição Federal existem apenas três casos em que o culto pode ser proibido: quando não tiver caráter pacifico; se houver uso de arma de fogo ou se estiver sendo praticado um ato criminoso. (Lei nº 1.207 de 25 de outubro de 1950). Fora disso, é permitido tudo aquilo que a lei não proíbe. Não podemos esquecer, no entanto, que as leis sobre vizinhança, direito ao silêncio, normas ambientais, etc... devem ser ser sempre respeitadas.
O Código Penal proíbe a perturbação de qualquer culto religioso e a Lei de Abuso de Autoridade pune o atentado ao livre exercício do culto. (pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, art. 18 / Convenção Americana de Direitos Humanos, art. 12 / Declaração para Eliminação de todas as Formas de Intolerância e de Discriminação baseada em Religiões ou Crença, art. 6º / Código Penal, art. 208 e seguintes / Lei de Abuso de Autoridades, nº 4.898, de 09 de dezembro de 1965) A mais alta Corte brasileira, o Supremo Tribunal Federal, já decidiu que a discriminação religiosa é uma espécie de prática de racismo.
Isto significa que o crime de discriminação religiosa é inafiançável (o acusado não pode pagar fiança para responder em liberdade) e imprescindível (o acusado pode ser punido a qualquer tempo).
A pena para o crime de discriminação religiosa pode chegar a 05 anos de reclusão.
No caso de discriminação religiosa, a vitima deve procurar uma Delegacia de Polícia e registrar a ocorrência. O Delegado de Polícia tem o dever de instaurar inquérito, colher provas e enviar o relatório para o Judiciário, a partir do que terá início o processo penal.
O Estado tem a obrigação de manter a paz social, a compreensão e respeito mútuo entre as várias denominações religiosas. Não haverá democracia plena no Brasil enquanto houver ofensas e discriminação de ordem social e cultural, baseada em religião ou crença. Diga não a intolerância e a discriminação religiosa.
Fonte de pesquisa:
Campanha em defesa da liberdade de crença e contra a intolerância religiosa.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
AXÉ
AXÉ
A
palavra Axé é de origem yorubá e é muito usada nas casas de Candomblé. Axé significa "força,
poder", mas também é empregada para sacramentar certas frases
ditas entre o povo de santo, como por exemplo:
Eu
digo: - “Eu estou muito bem.”
Outro
responde: -“AXÉ!”
Esse “axé“ aí dito equivaleria ao "Amém" do Catolicismo ("que
Deus permita").
Mas,
o Axé ainda pode significar a própria casa de Candomblé em toda a sua
plenitude. Daí, uma Yalorixá também ser chamada de Yalaxé (Iyálàse),
ou seja, “Mãe do Axé” ou a pessoa responsável pelo zelo do Axé ou força da casa
de Orixá.
Axé
também pode significar “Vida”. E
tudo que tem vida tem origem. Chamar a vida é chamar o Axé e as origens. OS
ORIXÁS SÃO AXÉ, OS ORIXÁS SÃO VIDA.
Agora,
o que seria Contra-Axé?
O
contra-axé são todas as estruturas de opressão e morte que destroem a vida das
comunidades. O contra-axé ainda pode ser todas as quizilás e ewós (interdições)
dentro de uma casa de orixá e também certos tabus que cercam o Omo-orixá.
Na
tradição dos orixás, axé também pode significar a "força das águas, do fogo,
da terra, das árvores, das pedras" enfim de tudo que tem vida.
Pois, O CANDOMBLÉ É UM CULTO DE
CELEBRAÇÃO À VIDA E A TODA A FORÇA QUE DELA ADVÉM, OU SEJA, O PRÓPRIO CULTO, É
O PRÓPRIO AXÉ.
Fonte Awofa Ifakemi Miguel
A ORGANIZAÇÃO DO CANDOMBLÉ NO NOVO MUNDO
A ORGANIZAÇÃO DO CANDOMBLÉ NO NOVO MUNDO
Antigamente,
na Nigéria, os dias da semana eram apenas 04 (quatro) e eram assim denominados:
1o dia - Ójumò Exu
2o dia - Ójumò Ogun
3o dia - Ójumò Xangô
4o dia - Ójumò Oxalá
Sendo
que estes 04 (quatro) dias estavam ligados aos 04 (quatro) pontos cardeais:
1o a leste onde habita Exu
2o ao norte onde habita Ogun
3o a oeste onde habita Xangô
4o ao sul onde habita Oxalá
Como
se pode observar, os yorubás tinham sua própria semana
organizada que foi modificada ou adaptada à semana ocidental. Isto aconteceu
porque não se manteve a tradição milenar de apenas 04 (quatro) dias.
Quando
o Candomblé foi estabelecido na Bahia por Yanassó
teve-se que se adaptar, como foi visto anteriormente, o culto para os moldes
ocidentais, ou seja, cultuar vários orixás no mesmo espaço. Com esta junção,
criou-se o que foi chamado Ójumò-osé
ou dia de limpar ou ainda Ójumò-uenumó
ou dia do descanso. Essa distribuição foi feita da seguinte forma:
2a feira cuidaria-se
de Exu e Omolu
3a feira cuidaria-se
de Ogun e Oxumarê
4a feira cuidaria-se
de Xangô e Oya
5a feira cuidaria-se
de Oxossy
6a feira cuidaria-se
de Oxalá
No
sábado seria a vez de se cuidar de todas as Yas ou Mães que seriam: Oxum,
Yemanjá, Nanã, entre outras. Já no domingo, cuidar-se-ia
de Ibeji.
Esta
distribuição foi feita para que cada Omo-orixá tivesse seu orixá ligado a um
dia da semana e nesse dia esse omo-orixá estivesse na casa de Candomblé para
prestar culto ao seu orixá, não fugindo assim com a sua responsabilidade de
cuidar de seu orixá.
Como
comprovam vários estudiosos da cultura africana, não só houve a adaptação da
semana yorubá para a semana ocidental, como uma série de cerimônia e ritos da
religião de orixá tiveram que se adaptar ao Novo Mundo, conforme mostra o
próprio ritual de iniciação que na Nigéria é feito em aldeias que ficam no
interior das florestas.
Outra
adaptação feita para o Brasil foi o do Jogo de Búzios. Enquanto no culto de
orixá na Nigéria apenas o Babalawo faz o culto à adivinhação
e é ele, por determinação de Ifá, quem orienta todos os acontecimentos dentro
do egbé; no Brasil, o jogo de búzios foi uma modalidade criada pelo Oluwô
Bamboxé para as mulheres ou Yalorixás da época.
Esta
distribuição foi feita para que cada Omo-orixá tivesse seu orixá ligado a um
dia da semana e nesse dia esse omo-orixá estivesse na casa de Candomblé para
prestar culto ao seu orixá, não fugindo assim com a sua responsabilidade de
cuidar de seu orixá.
Como
comprovam vários estudiosos da cultura africana, não só houve a adaptação da
semana yorubá para a semana ocidental, como uma série de cerimônia e ritos da
religião de orixá tiveram que se adaptar ao Novo Mundo, conforme mostra o
próprio ritual de iniciação que na Nigéria é feito em aldeias que ficam no
interior das florestas.
Outra
adaptação feita para o Brasil foi o do Jogo de Búzios. Enquanto no culto de
orixá na Nigéria apenas o Babalawo faz o culto à adivinhação
e é ele, por determinação de Ifá, quem orienta todos os acontecimentos dentro
do egbé; no Brasil, o jogo de búzios foi uma modalidade criada pelo Oluwô
Bamboxé para as mulheres ou Yalorixás da época.
AS VARIAÇÕES
DAS TRÊS NAÇÕES: JEJE, KETU E ANGOLA
Dos
muitos grupos de escravos vindo para o Brasil, 03(três) categorias ou nações se
destacaram:
Negros Fons ou Nação Jeje
Negros Yorubás ou Nação Ketu
Negros Bantos ou Nação Angola
Cada
uma dessas 03 (três) nações tem dialeto e ritualística própria. Mas, houve uma
grande coligação entre os deuses ou Divindades adorados nessas 03 (três)
nações, por exemplo:
Na Nação Jeje os deuses são
chamados de Voduns
Na Nação Ketu, de Orixás
Na Nação de Angola, de Inkices
Abaixo,
encontram-se relacionados os deuses, as suas ligações e correspondência em cada
uma dessas 03 (três) nações:
KETU
|
JEJE
|
ANGOLA
|
Exu
|
Elegbá
|
Bombogiro
|
Ogun
|
Gu
|
Nkosi-Mucumbe
|
Oxossy
|
Otolú
|
Mutaka Lambo
|
Omolu
|
Azanssun
|
Cavungo
|
Xangô
|
Sogbô
|
Nizazi
ou Luango
|
Ossayn
|
Ague
|
Katende
|
Oya
/ Yansã
|
Guelede-Agan
ou Vodun-Jó
|
Matamba/Kaingo
|
Oxum
|
Aziri-Tolá
|
Dandalunda
|
Yemanja
|
Aziri-Tobossi
|
Samba
Kalunga/Kukuetu
|
Oxumarê
|
Becém
|
Angoro
- Ongolo
|
Oxalá
|
Lissá
|
Lemba
|
Fonte Awofa Ifakemi Miguel
Candomblé
POR QUE O CULTO DO ORIXÁ É CHAMADO DE CANDOMBLÉ?
Em
1830, algumas mulheres negras originárias de Ketu, na Nigéria, e pertencentes a irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, reuniram-se para
estabelecer uma forma de culto que preservasse as tradições africanas aqui, no
Brasil.
Segundo
documentos históricos da época, esta reunião aconteceu na antiga Ladeira do
Bercô; hoje, Rua Visconde de Itaparica, próximo a Igreja da Barroquinha na
cidade de São Salvador - Estado da Bahia.
Desta
reunião, que era formada por várias mulheres, uma mulher ajudada por
Baba-Asiká, um ilustre africano da época, se destacou:
-
Íyànàssó Kalá ou Oká, cujo òrúnkó (nome) no orixá era
Íyàmagbó-Olódùmarè.
Mas,
o motivo principal desta reunião era estabelecer um culto africanista no
Brasil, pois viram essas mulheres, que se alguma coisa não fosse feita aos seus
irmãos negros e descendentes, nada teriam para preservar o "culto de
orixá", já que os negros que aqui chegavam eram batizados na Igreja
Católica e obrigados a praticarem assim a religião católica.
Porém,
como praticar um culto de origem tribal, em uma terra distante de sua ÌYÁ ÌLÚ ÀIYÉ ÈMÍ, ou a mãe pátria terra
da vida, como era chamada a África, pelos antigos africanos?
Primeiro,
tentaram fazer uma fusão de várias mitologias, dogmas e liturgias africanas.
Este culto, no Brasil, teria que ser similar ao culto praticado na África, em
que o principal quesito para se ingressar em seus mistérios seria a iniciação.
Enquanto na África a iniciação é feita muitas vezes em plena floresta, no
Brasil foi estabelecida uma mini-África, ou seja, a casa de culto teria todos
os orixás africanos juntos. Ao contrário da África, onde cada orixá está ligado
a uma aldeia, ou cidade, por exemplo: Xangô em Oyó, Oxum em Ijexá e Ijebu e assim
por diante.
Mas,
por que esse culto foi denominado de CANDOMBLÉ?
Este
culto da forma como é aqui praticado e chamado de Candomblé, não existe na
África. O que existe lá é o que chamo de CULTO
À ORIXÁ, ou seja, cada região africana cultua um
orixá e só inicia elegun ou pessoa daquele orixá. Portanto, a palavra Candomblé
foi uma forma de denominar as reuniões feitas pelos escravos, para cultuar seus
deuses, porque também era comum chamar de Candomblé toda festa ou reunião de
negros no Brasil. Por esse motivo, antigos Babalorixás e Yalorixás evitavam
chamar o "culto dos orixás" de Candomblé. Eles não queriam
com isso serem confundidos com estas festas. Mas, com o passar do tempo a palavra Candomblé foi aceita e passou a definir um
conjunto de cultos vindo de diversas regiões africanas.
A
palavra Candomblé possui 2 (dois) significados entre os pesquisadores:
Candomblé seria uma modificação fonética de “Candonbé”, um tipo de atabaque
usado pelos negros de Angola; ou ainda, viria de “Candonbidé”, que quer dizer
“ato de louvar, pedir por alguém ou por alguma coisa”.
Como
forma complementar de culto, a palavra Candomblé passou a definir o modelo de
cada tribo ou região africana, conforme a seguir:
Candomblé
da Nação Ketu (Yorubá/Nigéria)
Candomblé
da Nação Djedje ou Jeje (Fon, Mahis- antigo Dahomé, hoje Benin)
Candomblé
da Nação Angola ou Bantu
Candomblé
da Nação Congo
Candomblé
da Nação Muxicongo
A
palavra “Nação” entra aí não para definir uma nação política, pois Nação Jeje (tradução
literal – ESTRANGEIRO) não existia em termos políticos. O que é chamado de
Nação Jeje é o Candomblé formado pelos povos vindos da região do Dahomé e
formado pelos povos MAHI.
Os
grupos que falavam a língua yorubá entre eles os de Oyó, Abeokuta, Ijexá, Ebá e
Benin vieram constituir uma forma de culto denominada de Candomblé da Nação
Ketu.
Ketu
era uma cidade igual as demais, mas no Brasil passou a designar o culto de
Candomblé da Nação Ketu ou Alaketu.
Esses
yorubás, quando guerrearam com os povos Jejes e perderam a batalha, se tornaram
escravos desses povos, sendo posteriormente vendidos ao Brasil.
Quando
os yorubás chegaram naquela região sofridos e maltratados, foram chamados pelos
fons de ÀNAGÔ, que quer dizer na língua fon “piolhentos, sujos” entre outras
coisas. A palavra com o tempo se modificou e
ficou NÀGÓ e passou a ser aceita
pelos povos yorubás no Brasil, para definir as suas origens e uma forma de
culto. Na verdade, não existe nenhuma nação política denominada NÀGÓ.
No
Brasil, a palavra NÀGÓ passou a
denominar os Candomblés também de Xambá da região norte, mais conhecido como
Xangô do Nordeste.
Os
Candomblés da Bahia e do Rio de Janeiro passaram a ser chamados de Nação Ketu
com raízes yorubás.
Porém,
existem variações de Nações, por exemplo, Candomblé da Nação Efan e Candomblé
da Nação Ijexá. Efan é uma cidade da região de Ilexá próxima a Osogbô e ao rio
Oxum. Ijexá não é uma nação política. Ijexá é o nome dado às pessoas que nascem
ou vivem na região de Ilexá.
O
que caracteriza a Nação Ijexá no Brasil é a posição que desfruta Oxum como a
rainha dessa nação.
Da
mesma forma como existe uma variação no Ketu, há também no Jeje, como por
exemplo, Jeje Mahi. Mahi era uma tribo que existia próximo à cidade de Ketu.
Os
Candomblés da Nação Angola e Congo foram desenvolvidos no Brasil com a chegada
desses africanos vindos de Angola e Congo.
A
partir de Maria Neném e depois os Candomblés de Mansu Bunduquemqué do falecido
Bernardino Bate-folha e Bam Dan Guaíne muitas formas surgiram seguindo
tradições de cidades como Casanje, Munjolo, Cabinda, Muxicongo e outras.
Nesse
estudo sobre Nações de Candomblé, poderia relatar sobre outras formas de
Candomblé, como por exemplo, Nàgó-vodun que é uma fusão de costumes yorubás e
Jeje, e o Alaketu de sua atual dirigente Olga de Alaketu.
O
Alaketu não é uma nação específica, mas sim uma Nação yorubá com a origem na
mesma região de Ketu, cuja sua história no Brasil soma-se mais de 350
(trezentos e cinquenta) anos ao tempo dos ancestrais da casa: Otampé, Ojaró e
Odé Akobí.
A
verdade é que o culto nigeriano de orixá, chamado de Candomblé no Brasil, foi
organizado por mulheres para mulheres. Antigamente, nas primeiras casas de
Candomblé, os homens não entravam na roda de dança para os orixás. Mesmo os que
tornavam-se Babalorixás tinham uma conduta diferente
quanto a roda de dança. Desta forma, a participação dos homens era puramente
circunstancial. Daí ter-se que se inserir no culto vários cargos para homens,
como por exemplo, os cargos de ogans.
Hoje,
a palavra Candomblé define no Brasil o que chamamos de culto afro-brasileiro,
ou seja:
UMA CULTURA
AFRICANA EM SOLO BRASILEIRO.
Fonte Awofa Ifakemi Miguel
Assinar:
Postagens (Atom)







